Sábado, Novembro 21, 2009

S sem ser S e S

A original

Vi ontem o "Julie and Julia", um filme sobre a autora de um famoso livro de cozinha nos EU e uma blogger que conta na Internet como fez todas as (quinhentas e tal) receitas do livro num dia.

Tinha visto a apresentação e pensado que era mais um filme idiota a explorar o filão filme cómico rom-com de gaja. E por isso fortemente a evitar. Mas fui ao Rotten Tomatoes e fiquei espantado porque estava classificado como Certified Fresh Pick e um não muito comum 75% - decidi confiar no infalível site. E o filme é delicioso - agora eu diria como se diz nos informercials americanos: obrigado Rotten Tomatoes.

Ajuda o facto de gostar muito de cozinhar, de comer e passar o filme a aguar com os pratos que lá apareciam. Não que eu seja um grande chef entendido em cozinha francesa mas já sou suficientemente apanhado para gostar de ler um livro de cozinha como se lê um romance e se lá no meio estiverem fotos da Nigella Lawson então é perfeito. O facto da personagem principal do filme ter um blog também tem a sua piada para quem escreve aqui com regularidade sem saber quem e como nos lêem. E claro ter a fabulosa Meril Streep no papel de Julia Child, uma WASP com um sotaque quase oxbridge que parece exagerado no filme mas que falava mesmo assim como uma rápida pesquisa no Youtube demonstra.

Mas o mais importante é que o filme consegue escapar do estigma dos 3 S dos filmes de gaja - esta denominação é redutora mas é mesmo assim, entrei atrasado no filme e quando numa das boas cenas cómicas do filme me ri pareceu-me que era o único espectador de voz masculina, no fim verifiquei que deviam estar 20% de homens na sala. Muitos dos filmes destinados ao público feminino destinam-se unicamente a fazer chorar ou sorrir de empatia com os sucessos ou insucessos amorosos dos protagonistas. Não estou nesse mercado. Este filme consegue a rara façanha de ser Sweet sem ser Silly nem Stupid. Desde que não sejam Stupid muitas vezes Sweet e Silly até tem o seu encanto. Pena é que os casos mais comuns sejam os abomináveis Sweet and Stupid. Porque fazer filmes Sweet até é fácil basta uma rapariga querida, gira e com poucas mamas, um cãozinho de cor clara, um namorado com um penteado moderno perdido na vida mas com uma paixão verdadeira. Não fazer filmes Stupid é que é muito difícil, argumentos com QI de três dígitos são bem escassos.

É por tudo isto que gostei e recomendo. E porque qualquer filme que tenha na banda sonora Psycho Killer dos Talking Heads numa cena em que se estão a meter lagostas numa panela de água a ferver tem o meu aval. Yeah, I know that's silly.

Groucho

(Se se quiserem quotizar para me oferecer no Natal uma panela Le Creuset como as do filme eu achava bastante simpático)

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Nota editorial (e pessoal)

Pela segunda vez, mas desta feita por minha decisão, retirei um post publicado. Era um dos poucos posts de cariz mais pessoal, que no momento decidi escrever porque senti a vontade de o fazer, pela importância pessoal do que estava em causa. No entanto o seu desenvolvimento fez-me perceber que porventura cometi um erro, embora considere ter tido o devido cuidado na sua redacção e não ter quebrado por isso a privacidade de ninguém. A falha é minha pois se quero (e só assim poderei continuar a) escrever vendo a minha privacidade respeitada devo também fazer por isso, e portanto assumo o meu erro, embora confesse não ter previsto o que sucedeu. Peço a todos os que me lêem que tenham este desabafo em conta pois escrever este blogue é um dos verdadeiros (e poucos) prazeres que tenho neste momento e caso sinta que os pressupostos do respeito pela minha privacidade são quebrados serei infelizmente obrigado a repensar a continuidade da minha existência blogger. Peço também que se lembrem que o blogue não é só meu, e apesar do erro o ser, devo a consideração e o respeito a quem comigo partilha este espaço, autores e leitores.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Modas de Inverno

a loira não confirma a tendência mas vem por acréscimo


Quando este blogue apareceu fiz o meu sentido elogio ao Inverno, por lhe identificar tantas virtudes de entesoamento quantas as que alguns homens encontram apenas no verão. Neste inverno parece que não ficámos a perder. Proliferam os vestidos curtos de lã e algodão, a terminar subitamente pouco abaixo dos (esperançosamente) afirmativos glúteos, acompanhados de leggings. Deixo uma confirmação pouco surpreendente: com excepção dos casos protagonizados pelas raparigas que usam no verão calças de cintura descaída com pneu a espreitar dos lados, esta é moda que enerva o astérix. Se têm pernas e rabo para tal adiram à tendência, nós agradecemos. Mas com saltos... de sapatos rasos fica pobre. Se é verdade que não gostamos de collants (collants são para velhinhas, mulheres em idade activa usam meias) esta coisa dos leggings tem a sua graça, e se de facto algumas exageram (não deixando de ser entesoantes, mas o index de classe cai bastante), outras brilham (bastando para isso um pormenor tão singelo como neste caso uma quase imperceptível mini-saia).

Aniversário - os meus preferidos




São todos bons mas estes são la crème de la crème, nec plus ultra, state of the art:

Money Talks

Ah, és tão engraçado

Uma conversa

A importancia da filatelia

Um pequeno passo para um homem

O acordar do lobinho

Cuecas de homem - a visão do Groucho

A receita da foda


Groucho

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Toda a gente quer ser bonita (amada é o termo certo)

assim não é feia, mas também não faria nenhum de nós olhar para trás na rua


Ao deambular rapidamente pelos blogues do costume deparei-me no blog da S* com um post sobre uma notícia que dava conta que, de acordo com um site de uma nova rede social era possível perceber que, no que ao aspecto físico dizia respeito, os homens portugueses estavam em alta (em quinto no top geral) enquanto que as catraias tugas surgem na cauda da tabela.

A métrica decorre de um método curioso que a rede social propõe: cada membro que se inscreve terá de passar no "crivo" do mulherio (ou homenzarrada) que já lá vive, e são esses que com os seus votos definem se um novo membro(a) tem qualidade de acabamentos, acrílicos e platinados, para entrar no "olimpo dos bonitos". Neste plano os homens tugas surgem bem colocados, com uma taxa de aprovação de 37%, bem perto dos italianos (39%, e esta hein?) e à frente dos argentinos por larga margem (29%). Já as meninas lusas recolhem uma taxa de aprovação de apenas 16%, a par das indianas, bem longe da taxa de aprovação meteórica das norueguesas (76%), as primeiras classificadas do ranking (que pelo que se percebe é dominado pelos países nórdicos em ambos os sexos, com intromissão do Brasil em ambos).


Ora este post serviria apenas para tentar retirar desta parvoíce algum sentido, sendo que iria concluir estes "dados" com a minha opinião de que as mulheres portuguesas são tão (ou mais) bonitas como tantas outras, estão é um passo atrás em várias áreas, nomeadamente a sofisticação, o cuidado, o "kitanço" e a sensualidade natural, assistindo-se muitas vezes a um desleixo que esconde belas mulheres disfarçadas de trambolhos.


Mas como decidi visitar o site o post acaba por ter algo mais... é que o propósito do site é absolutamente surreal (e é por isso que provavelmente vai ser um sucesso falado). Ao chegar ao site, que se chama beautifulpeople.com, deparamo-nos com algumas perguntas que nos permitem logo saber ao que vamos:

- o aspecto físico é para si determinante na hora de escolher um(a) parceiro(a)?- quer garantir encontros apenas com pessoas bonitas?
- está farto(a) de ter de filtrar pessoas feias nas redes sociais main stream?

Ora se à primeira resposta só diz não quem é hipócrita (quanto muito se for uma pessoa normal diz que não é tudo ou que não é sequer o mais importante) as outras duas pareceram-me entre o cómico e o surreal. Apesar de tudo, e imaginando que o site revoltará algumas pessoas, ao menos é honesto. Quem lá está sabe ao que vai. Quem lá não vai assume uma posição. Quem tenta e não entra recebe um reality check. E no final sobra uma verdade... ser bonito não é sinónimo de felicidade, e sobretudo não é sinónimo de amor. Toda a gente sabe que da mesma forma que se diz que os bonitos têm mais facilidades no trabalho, também é verdade que se entalam mais no banco dos réus quando defrontando um júri.

Bonito, inteligente, culto, engraçado... as variáveis ou métricas são as mais diversas, sendo que a que é discutida está de facto hipervalorizada, mas no final o que toda a gente quer é ser amada/apreciada, seja lá pelo que for. Este site apenas reúne quem, tendo paciência, se submete a uma única métrica, sofrego por valorização. Deu para perceber o que é, enquanto duram as minhas 48h de acesso prévias à votação final. Talvez umas "bifas" sigam o exemplo de uma gêrmanica que simpativamente já me sancionou positivamente mas... regressar para quê? Isto interessa para alguma coisa? Só interessa para sabermos que as mulheres portuguesas podem ser mais bonitas do que os números aqui dizem. Porque o são. Basta quererem. Olhem para a rapariga da foto. Quando quer é bonita. Sem cabeleireiro, maquilhagem e artifícios é uma regular girl.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Aniversário - Os meus preferidos


O tempo tem sido pouco e a cabeça indisponível mas dou seguimento "às comemorações" agradecendo, em primeiro lugar, o feedback que deram ao post anterior. É giro constatar a importância que pelos vistos teve a nossa participação noutros blogues na conquista das vossas leituras, seja quando despertamos curiosidade seja quando simplesmente irritamos pela nossa boçalidade ou crueza (propositada, claro).

Tenho compilado alguma informação sobre o blogue e sobre o que de fundamental tem (obviamente os posts), para vos ir apresentando aqui, até porque um dia destes vamos pedir-vos que decidam os vossos posts preferidos de sempre. Até lá vou publicando uns resumos, por critérios, que aos leitores mais antigos pouca surpresa trarão mas poderão revelar algumas novidades aos mais recentes.

Começo por isso hoje com a minha lista dos posts que mais gostei de escrever, por uma razão ou por outra. Podem não ser os mais bem conseguidos, os mais interessantes ou sequer os mais úteis, mas são aqueles que pessoalmente me dizem mais. Enjoy.

A melhor Mulher
As mulheres e as reticências
Carinho vs. Palermice (6 posts)
Para ti Helena
A Máfia de Walt Disney
Menàge a Trois: a trincheira onde tombam que nem tordos
Coisas que me levantam a moral (pernas e relacionados)
Belíssima... coincidência
O rabo do menino
A utopia feminina vs. a simplicidade masculina
A celulite ou o mecanismo de estratificação das mulheres a que temos direito
O teu conselho





Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Aniversário - Sessão de Abertura das Comemorações

to us (incluindo leitores inexplicavelmente fiéis)


Este pardieiro faz no dia 25 deste mês um ano de existência, desde o seu verdadeiro primeiro post (havia um anterior sobre cremes, indiciador da panascagem que cá se iria instalar mas que constituiu apenas um mero teste). Esta sessão de abertura era para ter palanque, microfone e gajas que durante a semana atendem numa perfumaria e ao domingo entregam flores e beijos na volta a Portugal em bicicleta mas não há dinheiro.

Passado um ano que foi dos mais intensos, senão o mais intenso da minha vida, a decisão de avançar para este pardieiro foi avisada, pois se há coisa que me fez, faz e acredito fará bem é escrever aqui o que me apetece (mesmo quando os temas irritam o Groucho). É uma espécie de catarse, de escape que faz bem à carola, que não tem andado tão fresca como isso. Não substitui a terapeuta, mas surge como um bom complemento. Seguem-se uma série 3 posts dedicados ao aniversário, nos quais os nossos fiéis leitores (é mais leitoras e isso também é engraçado como vão perceber) terão uma palavra a dizer sobre este tasco e o que os motiva a inexplicavelmente perderem tempo a cá vir. Neste primeiro conto-vos (porque muitos não acompanharam) o que motivou o aparecimento deste boteco.

Groucho Mastermind

Há dois anos atrás não pensava abrir blogue algum. A ideia já germinava no entanto, na cabeça do Groucho. As nossas indescritíveis reflexões de filosofia de chinelo, profundamente seinfeldianas, terminavam muitas vezes com a conclusão de que aquilo dava um bom tema para um blogue. Nós nem liamos blogues com regularidade. O Groucho puxava por mim, eu não estava para aí virado. Recordo que um dia uma grande amiga minha (que também dizia que eu devia abrir um pardieiro e publicar as minhas pseudotretas sobre a vida, relações, mulheres, homens, etc) me apareceu à frente e disse "cabrão, abriste um blogue e não disseste nada". Eu fiquei surpreendido e neguei. Ela insistiu "ai não? isto por acaso não és tu?". Era o blogue do Arrumadinho. Comecei a ler, a acompanhar, e se por um lado percebi o porquê da suspeita dela, fui percebendo também que afinal (e como era natural) o Arrumadinho e eu não éramos exactamente a mesma coisa, embora partilhasse alguns pontos de vista com o autor do blogue e o seguisse atentamente.

Blogosfera Amazona

Comecei a comentar, a participar em dois ou três blogues que me prendiam a atenção (além do Arrumadinho achava graça ao Cenas de Gaja, pois não é costume ler uma gaja falar de mangalhos com aquele sentido prático. Os meus comentários eram muitas vezes respondidos com pedidos para eu abrir um blogue. Comecei a achar graça à ideia e voltei ao motivador mor para finalizarmos o projecto.

A nossa intenção era boa mas o nosso "business plan" saiu totalmente furado. Assente que seria engraçado fazermos um blogue com as nossas palhaçadas, decidimos avançar com o mesmo convicto de que seriamos lidos sobretudo por homens e que para eles escreveríamos e, como é natural, falaríamos muito de mulheres. A coisa saiu completamente ao contrário. Embora seja perceptível que também somos lidos por pilas, a verdade é que é evidente que pelo menos quem nos lê com maior afinco e paciência são as meninas. Por aqui já podem tirar a noção exacta do quão sério devem levar os nossos pontos de vista, quando nem sequer uma coisa destas conseguimos planear e prever. Fora de brincadeiras, a verdade é que a internet ainda é (mas cada vez menos) maioriariamente masculina, a blogosfera é território amazona na sua essência.

Rivalizando com as borbulhas nas nádegas do Pinhal Novo

E assim atacámos a coisa. Procurei uma rapariga jeitosa para um topo e abriu-se o pardieiro. E cá estamos passado um ano. Não vou falar em números até porque a nossa performance não é assim tão espectacular (embora imensamente superior ao que alguma vez equacionámos) mas no entanto enche o peito ver-nos á a disputar lugares, taco a taco, com temas tão fortes como blogues dedicados a gajas do Hi5 oriundas do Pinhal Novo e Fernão Ferro que querem ser famosas e fazer um tratamento ao acne com os proveitos, pardieiros dedicados ao glorioso e divertido spor'sboaénfica (fonética em homenagem ao milagreiro Jesus) e profundos sítios online que se dedicam a discutir a textura da cueca acrílica do Undertaker.

E vocês connosco?

Como referi no início, seguir-se-ão mais um ou dois posts com algumas curiosidades de aniversário (os posts mais lidos, os mais comentados, os que o Groucho e eu mais gostámos, convite a que decidam os vossos preferidos, etc.) mas por agora termino perguntando-vos:

como/onde nos descobriram?
o que vos traz por cá?
o que gostariam que nós fizéssemos/escrevêssemos?
o que não gostam neste blogue (incluindo os autores)?