Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Um Jogo entre Jogos

um duelo ao pôr do sol


Já desisti de tentar perceber como é que, nos dias que correm, com o trabalho que todos temos às costas, no estado em que está "esta merda", a malta ainda tem tempo para passar o dia no livro facial, sobretudo a jogar jogos, até porque o mais provável é a minha incompreensão decorrer da minha sofrível capacidade de gestão de tempo e tarefas. Tenho amigos e amigas que jogam aos 2 e 3 jogos ao mesmo tempo: uns têm casas de assar frangos onde servem refeições, outros criam porcos ou mesmo cisnes, num contexto abichanado. Outros andam à facada e ao tiro a fazer missões gansterianas. Anda tudo a jogar por todo o lado, e quando me lembro de abrir o meu livro facial eis a parafernália de mensagens de upgrade de caçadeira, de compra de ordenha mecânica ou outro pormenor ridículo qualquer. Eu nem tenho nada contra jogos, até porque me parece que o apego ao jogo é uma faceta da criatividade e propensão para o sonho do ser humano, mas que há febre há.

Posto isto debruço-me sobre um jogo absolutamente surreal que me mostraram há uns dias: Sexy City. O entretém vai buscar inspiração às fantásticas, cosmopolitas, emopreendedoras e super bem resolvidas personagens de ficção do "Sexo na Cidade" parece-me pois pelo que percebi o jogador escolhe, ao iniciar, uma de 4 gajas desse estilo, para fazer a sua vida em Nova Iorque. E que vida é essa? É a descrição da vida que diz tudo e faz sorrir. Eu provavelmente não apanhei todos os detalhes do jogo enquanto mo mostravam mas é mais ou menos isto:

- Passo 1: dedicam-se a levar a cabo "missões" muito particulares: sair com gajos e manter conversas de engate com os ditos. Quanto melhor a conversa correr mais "pasta" lhe sugam, ou seja, é à custa dos rapazolas que elas amealham "bago" para o que vem a seguir.

- Passo 2: assomam às lojas onde podem comprar sapatos, malas, roupas, tudo e mais alguma coisa, numa oferta variada, que lhes permite não só customizar a sua personagem como prepará-la para o passo seguinte.

- Passo 3: realizam "duelos". Escolhem uma de três peruas disponíveis para o embate, e o jogo define uma vencedora do "duelo", baseado no estilo global das adversárias: a que tiver mais estilo vence e amealha pontos para subir de nível.

O racional viciante do jogo é simples: Homens > Dinheiro > Sapatos, Malas e Roupa > Supremacia sobre as outras cabras, o ultimate selfe steem challenge. É no mínimo curioso.

6 comentários:

Rosa Cueca disse...

Joga o mítico 7 Sins e depois falamos Capitão ;).

Quanto ao livro-de-cara por favor, já não posso mais com as quintinhas e as colheitas, pudesse eu e corria tudo a tiro de caçadeira.

Laetitia disse...

O mais estúpido é que nesse jogo o Mr. Big chama-se Mr. Large! lol E isso só por si tira já toda a eventual piada.
Quanto ao jogo em si é estúpido, e quanto a mim até incentiva assim à prostituição. Sim, porque se a personagem der as respostas certas, leia-se que o homem supostamente quer ouvir ao longo do date, ele no fim dá-lhe dinheiro. O que é assim uma coisa esquisita para se meter num jogo acessível a criançinhas adolescentes. Digo eu.

MAC disse...

Não acho muita piada ao Facebook, não me interesso, porque não sou solitária por natureza e não é ali que vou colmatar solidões, que não existem. Porque, se é para reencontrar amigos, não é por aí. Se nos deixámos de dar, sem cortes, é porque as nossas vidas já não se cruzam. Porque, com os meus amigos telefonamo-nos. Não é através dos Social Network, que combinamos seja o que for. Porque se é para arranjar mais amigos, também não serve. Gosto dos que tenho e gosto do modo natural, humano e ao acaso, com que surgem mais amigos e conhecidos, através de amigos. Porque as amizades não se fazem a pedido, constroem-se, precisam de empatias, afinidades e vivências.

Aliás, faz-me imensa confusão aquelas pessoas com paletes de amigos, no Facebook. Pelo que já percebi, aceita-se para amigo toda a pulga careca. Eu cá não, só constam como meus amigos, as pessoas que conheço, com que partilho saídas, conversas e outros modos de contacto.

Depois, não tenho muita paciência para a quantidade de beijos, sorrisos, flores e abraços virtuais, que me querem dar. Se me querem fazer isto tudo, façam-no ao vivo e a cores! E que fui nomeada para most lovable person - logo eu, a queridinha de serviço! - e you are beautiful- e que sou impecável e tal e coiso! E aparecem-me um monte de homens, que não conheço de lado algum, em pedidos de amizade. Logo o termo "pedido de amizade" irrita-me, que coisinha mais foleirinha.

E já não aguento as vacas, bois, gansos e patos, macieiras, pereiras e bananeiras que me mandam. E as mobílias e roupas e sapatos e o que mais se lembram, mas chegado o Natal, ai que estou mal de finanças e tal.

Deve ser muito bom, para divulgação de empresas, para causas - como foi o caso da Marta - para recrutamento de recursos humanos, para divulgação de festas, mas de resto, não lhe vejo maior utilidade.

Ah! e para gente com fominha, também deve dar um jeitasso. Só que, pelo que já percebi também, ele deve haver para ali muita personagem, pessoas assim a atirar para o avatar e, após conversinha, quando resolvem encontrar-se face to face, ele deve haver muita desilusãozinha, ah pois deve!

O problema, se é que se pode falar em problema, é que a maior parte das pessoas não têm uma vida, ou pelo menos, não a que gostariam de ter e aproveitam os jogos e actividades como alguma forma de alienação.

Quanto ao tempo que a maior parte das pessoas ali passam, resume-se a que, neste país o povo não tem um trabalho, tem um emprego, o que é completamente diferente.

Pipoca dos Saltos Altos disse...

Nem cafés nem aquários nem quintas, não tenho paciência para nenhum desses jogos. Nem paci~encia nem tempo. "Ai e tal plantei uma abóbora", é parvo.
Cada vez que abro o face passo 10 in a apagar convites para essas tretas. E há gente parva que os continua a enviar mesmo depois de eu já os ter recusado umas trinta vezes. Enfim...

Miss Complicações disse...

Haja tempo e paciência!

Quando há tempo dedico-me a viver o que resta da minha vidinha fora das 4 paredes do escritório. Quando há paciência dedico-me a tentar compreender como é que há pessoas que têm tempo para brincar ao faz de conta que se é uma cosmopolitan girl ou um agricultor preocupado com a plantação de batatas ou abóboras.
hummmm…. pensado melhor vou querer apenas paciência para pensar. Talvez consiga encontrar a solução para arranjar tempo que me permita ir levantar a roupa na lavandaria, comprar pão e leite e dormir 8 horas. Já não era mau...

MAC disse...

@ Pipoca,

Não precisa de perder tempo a apagar os convites e que tais. Também já me dei ao trabalho, até que desisti e depois reparei que passados uns tempos (não sei é quanto) os pedidos prescrevem e desaparecem ;)